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| Livro: Os feitos notáveis da Cruz | |
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Agora, imagine se a cruz ainda trouxer em si outros simbolismos – menos visíveis – além daqueles que já conhecemos? E se nela estiverem impressos elementos de uma salvação ainda mais ampla, de uma reconciliação transformadora inegável e irreversível?
A obra realizada no Calvário nos regenerou por meio da morte e da ressurreição de Jesus, que destruiu o pecado e nos deu um novo coração e uma nova natureza. Porém, seus efeitos se estendem e podem ser maiores do que imaginamos. Como? Por meio de um Deus genial, extremamente pedagógico, que não faz nada de maneira incompleta.
A Palavra nos ensina que “Deus, em Cristo, reconciliou consigo o mundo” (2 Coríntios 5.19). Textos como esse são conhecidos por nós. Sabemos que fomos incluídos no sacrifício de Cristo e sabemos também que fomos reconciliados através da sua morte... Graças a Deus por isso! Mas costumamos pensar nessa tão grande reconciliação somente em um aspecto: a reconciliação com Deus. Não está errado, apenas incompleto.
Para entendermos melhor, é importante lembrar que no tempo de Jesus nem todos sabiam ler ou escrever e, por isso, era muito importante que se usasse uma linguagem cheia de imagens, quase auto-explicativa. Por essa razão, Jesus fazia uso das parábolas constantemente, para facilitar a compreensão. Deus também usou dessa “técnica” de comunicação no dia em que Jesus foi crucificado, mas algumas coisas ficaram despercebidas em sua mensagem.
Observe a figura: a cruz possui quatro extremidades. Uma aponta para cima, simbolizando a reconciliação com Deus. Duas apontam para as laterais (onde estavam os dois ladrões, se lembra?), simbolizando nossa reconciliação com o próximo. A quarta e última aponta para baixo, para a terra (onde a cruz foi cravada) indicando nossa reconciliação com a criação. Desse modo, fomos reconciliados de uma maneira muito mais poderosa do que imaginávamos.
Que poder imenso existe na cruz de Jesus! Que mensagem transformadora, integral e inclusiva! Precisamos perceber que este é o verdadeiro milagre que ele pôde – e pode! – promover em nós: nos reconciliar integralmente. Com Ele, com nosso próximo e com Sua criação. Depois disso, do que mais precisaríamos? O que nos cabe é “desenvolver a nossa salvação” a fim de que alcancemos toda a dimensão dessa obra maravilhosa e tenhamos uma relação saudável e natural em todas as esferas de nossa vida. A cruz tem o formato do nosso corpo de braços abertos. Nós somos a nossa cruz, e por isso Ele disse: “Quem quiser vir após mim, tome sua cruz e siga-me” (Lucas 9.23).
Há uma cruz em nós, a cruz que nos livrou da morte da forma mais maravilhosa e poderosa: nos fazendo morrer para nós mesmo e viver nEle e para Ele. Que os efeitos de tão grande salvação operem no interior de cada um, e que a prática da nova vida que essa salvação nos garante leve a zelar e preservar tudo aquilo que o Pai criou e a amar nosso próximo como a nós mesmos. Louvado seja o Senhor!
PATRÍCIA BEZERRA é psicóloga e diretora geral da Fundação Comunidade da Graça. É casada com Carlos Bezerra Jr. e mãe da Giovanna e da Giulianna.









